É preciso extinguir a mentalidade de empregado

Acabei de receber o telefonema de um downline – em meu negócio de Marketing Multinivel – “enfezado” com a companhia que representamos. Foi mais ou menos assim:

– Alô? Oi, olha, quero falar com você… Rapaz, isso não existe, os produtos deveriam chegar ontem e só chegaram hoje. Perdi uma venda importantíssima por isso. Já liguei pra lá e soltei os cachorros…

É inadimissível! Já estou pensando em desistir desse negócio… Alô, oi, você está aí, está me ouvindo?

Sim, estou aqui. Veja bem…

– E você não fala nada, fica calado? Acha que essa situação é normal? Isso não pode acontecer. Assim eu me quebro…

Não acredito, você fica calado, acha que está certo!? Isso também não pode, deveria me apoiar. Você que me colocou nessa empresa. Não tem nada a dizer?

Tenho sim, olha…

– Tem, e porque não disse logo? Você concorda com eles, está no time deles, do lado deles. Não está me apoiando como deveria.

A transportadora também: outro bando de incompetentes! Antes de ligar pra sua empresinha eu liguei pra transportadora e me disseram que o atraso foi lá. Um dia de atraso, meu amigo, assim não tem negócio.

Quando me cadastrei, disseram que os produtos chegavam em cinco dias úteis. Me queimei com todos os meus clientes. Estou frito agora.

O que faço com essa mercadoria toda? Me fala…  Alô?…  Alô?  Alôôô. Cadê você? Não acredito.

Oi…

– Oi? só oi? Você não fala?

Sim, claro que falo, mas você não me…

– E porque não falou ainda?

Estou tentando… A propósito, resolveu aquele problema lá no seu trabalho?

– Que nada, tá a maior bronca. É muita responsabilidade. Uma verdadeira escravidão e dinheiro que é bom, nem falo. Essa semana fiquei responsável pelo trabalho de campo de uma pessoa que faltou, quase peço demissão.

Na boa, ainda não pedi por causa da situação: aluguel, contas pra pagar, menino novo chegando… Mas, confesso, não demoro muito.

Olha, me deixa falar um pouco agora, posso?

– Sim.

Seguinte: acho que esse não é o momento pra você tentar desenvolver esse negócio conosco. Você deve tentar diminuir sua carga, focar no seu trabalho, afinal, as responsabilidades realmente são muitas.

Você não pode correr esse risco de ficar sem algo certo nesse momento. Relaxa! Manda a mercadoria de volta. Melhor, me traz aqui que estou cheio de pedidos e eu fico com ela pelo preço que você pagou.

Vai colocar sua vida em dia, cuidar de sua esposa nessa fase delicada… Enquanto isso a empresa se reorganiza, as mercadorias começam a chegar no prazo e, daqui a uns seis meses, se tiver disposto ainda, você retoma o negócio.

Realmente é um problema muito sério: 24 horas de atraso. Eles não poderiam ter deixado isso acontecer.

– Não, não. Não posso devolver meus produtos. Preciso deles. está quase tudo vendido. Foi apenas uma pessoa que não quis ficar. Na verdade, eu já sabia desde o início que ia ser assim.

Uma vizinha aqui, ela quer tudo que ouve falar, mas sempre faz isso. Ainda que queira me pagar adiantado da próxima vez, não a vendo de novo. Outro dia foi o maior vexame entre ela e outra vizinha da rua, por um problema semelhante.

Mas, fora isso…  Eu acho até que vou ter que fazer outro pedido amanhã, pra cobrir umas encomendas de umas pessoas que já estão me comprando pela segunda vez.

É rapaz, estão gostando aqui. O negócio (produto) é bom mesmo, bem que você falou.

Cara, pelo amor de Deus, não faz isso. Não faz outro pedido, vai que eles atrasam de novo. Essas empresas de MMN, você sabe, a maior desorganização…

Vão te atrapalhar todo aí e você vai ficar “p” da vida comigo de novo…

– Não, não, é como te falei: a culpa não foi realmente da empresa. Foi a transportadora, quer dizer, foi e não foi.

Sabe aquelas chuvas em São Paulo? Eles me disseram que foi feito o possível, mas que infelizmente todas as remessas da última semana sofreram atrasos. É compreensível, né?

Num caso desses não tem como. Eu fiquei meio chateado, mas compreendo os caras, qualquer um está sujeito…

Ei, e desculpa aí cara, sei que não era hora de ligar, né? 11:45 da noite… Espero que não tenha ficado com raiva. É que fiquei irado mesmo e só tinha você pra…

Bem, sou muito grato à você, tô sentindo mesmo que esse negócio que me apresentou pode dar certo pra mim. É só uma questão de trabalho e tempo, né? Alô?…  Alô?

Oi, pode falar. Estou ouvindo.

– Não, não, está bom, já. Vou deixá-lo dormir agora, amanhã nos falamos. Boa noite e obrigado, amigão.

Boa…

Tum, Tum, Tum…trabalho-mmn Vamos ao post

Repetindo o título, é preciso deixar de pensar – e agir – como empregado, amigo. Se quiser ao menos começar um negócio de MMN, deves agir como dono dele.

E se pensa em chegar ao topo, deves anular pra sempre qualquer vestígio de dependência que ainda vos possa comprometer.

Pare de chorar feito criança, assuma o controle

Ter um negócio próprio nunca foi fácil, em nenhum segmento. Diz o velho ditado que todo dia o empresário deve levantar-se preparado pra matar um leão.

São clientes insatisfeitos, fornecedores atrasados, funcionários incompetentes, vendas fracas, juros bancários, etc, etc, etc.

Nada cai do céu. Porém, os donos de negócio que sabem que isso tudo é natural, que faz parte da escolha a qual fizeram, tiram de letra, ou, na pior das hipóteses, tentam resolver SEUS problemas.

A única maneira de viver sem tais problemas é sendo o que eles menos desejam pra si: empregados.

Empresários desejam dinheiro. Não, carteira “assim nada”

Reclamar de tudo; querer um negócio, mas não aceitar o compromisso; ficar culpando os outros pelos seus problemas… Tudo isso é coisa de quem ainda não entendeu o que é empreender, de fato.

Ligar pra seu patrocinador para queixar-se da empresa de Marketing Multinivel “dele”, é uma atitude de quem ainda pensa como empregado. De quem ainda vê algo errado e pensa: isso não me diz respeito. De quem espera pelos outros. Empregados agem assim.

E quando me refiro à empregados, não quero dizer que haja algo de errado em se ter um emprego, desde que você seja um empregado com uma mentalidade empreendedora e não com a mentalidade conformista, de quem quer emprego e não trabalho, com a “mentalidade  de empregado”.

Meu querido downline, lhe desejo tudo de bom, mas só você o pode conquistar

Quando patrocinei meu downline, busquei um parceiro de negócios. Busquei alguém que entendesse que iria ser um empresário. Mas percebo que encontrei alguém que me vê como um patrão.

Ao me ligar pra queixar-se da empresa, ele age exatamente assim. Ao dizer que “minha empresa” está assim ou assado, ele não percebe que está esperneando como um bebezinho que quer simplesmente chamar atenção.

Esquece que a empresa é a “empresa dele” também. Que é o negócio dele e que sair por aí falando mal só pode piorar as coisas. Um empresário de verdade jamais falaria mal de seu negócio.

Penso que talvez meu downline leia esse post nos próximos dias, e acho que isso é o melhor que posso fazer por ele. Talvez, um pouco de raiva o faça acordar.

Ele pode desistir de mim como patrocinador, mas eu jamais desistirei dele como homem de negócios. Prefiro perdê-lo como parceiro ao ver levar uma vida com atitude de empregado.

Resolva-se consigo antes de acusar o mundo, eis a lição

Não precisei defender a empresa, não precisei discutir com ele, nem tampouco pedi que reconsiderasse o negócio. Na verdade, quase não precisei falar (ele não permitiu).

Sua própria ladainha o deve ter feito enxergar que tratava-se mais de uma busca por mimos do que um problema real – e, abrindo um parêntese, MMN não é terreno para quem precisa ser mimado pra sobreviver.

Me ative a trazer-lhe a tona os problemas de sua vida e com isso reacendi a idéia de que o Marketing Multinível poderia ser sua única saída, ao invés de seu carrasco.

E assim ficou claro: se não quiser as mercadorias, devolva-as. Se não quiser o negócio, desista.

Se precisar de um ouvido para desabafar, ligue para seu patrocinador e diga o que quer, mas, pelo amor de Deus, não faça tempestades num copo d’água, não tente encobrir suas angústias e anseios com problemas que não existem e, por último e mais importante, não se comporte como um empregado diante de uma oportunidade com potencial para fazê-lo o melhor dos empresários.

E você, leitor, como agiria com seu downline?

8 COMENTÁRIOS

  1. Foi ótima a psicologia reversa usada para seu Down line.
    Entrei na Belcorp, uma empresa de multinível excelente, e comecei bem, contudo, a necessidade chegou e junto dela uma oportunidade de ganhar R$1,500 por na CLT. Fui e 3 meses depois fui mandado embora.
    Deixei a síndrome de dependência falar mais alto e abandonei o que era meu (o MMN Belcorp). Agora, não largarei meu objetivo por nada. Vou me tornar dono de minha própria organização. E vou vencer na vida.

  2. Pablo, realmente, seu post ficou ótimo, e muito mais que isso, é um ensinamento não só para os iniciantes, mas também para aqueles que já estão no MMN a mais tempo, porque muitos estão nesse negócio e não tem maturidade para lidar com pessoas.
    Parabéns pelo seu preparo e experiência, tenho lido todos os seus post’s, valeu muito.

  3. Olá! Sem dúvida um texto muito realista, definitivamente é isso mesmo que acontece. Geralmente as pessoas estão tão acostumadas a serem empregados que estão do outro dos bastidores não sabem como se portar. A importancia de um upline bem resolvido é extremamente necessária, por isso quando entrar no maravilhoso mundo do MMN é preciso sabermos quem somos.

    Acabei de entrar nesse mundo de blogs, e estou muito empolgada pois encontro matérias muito bem escritas e esclarecedoras e que me ajudam bastante em meu blog também.

    Parabéns pelo artigo, excelente!

  4. Olha toda pessoa que sonhaem construir um futuro com sucesso no Marketing multinivel não pode focar problemas ,foque sempre metas .Pois se formoos olhar os grandes lideres neste ramo tiverão grandes dificuldades para chegar onde chegarão.

  5. Apesar de ter lido todos os artigos postados aqui no site, escolhi este como meu 1º artigo a ser comentado por considerá-lo como a chave de todo o start da vida de uma profissional de MMN, já que de nada adiantaria dominar toda a teoria existente sobre MMN se dentro de si esse padrão de pensamento não tiver sido corrigido, certamente ele seria guiado a desistência, vou transcrever um versículo bíblico que ilustra muito bem isso que estou expondo: “assim como um corpo sem espirito é morto, a fé sem obras em si está morta!”. deixo como sugestão envie-o como primeiro artigo a seus downlines! e ajude-os com isso a iniciar com o pé direito.

    Parabéns Pablo pela sua sensibilidade em perceber a necessidade de escrever este artigo. acompanho diariamente o site e o divulgo sempre pode estar certo!

    Feliz Páscoa a Todos!

  6. Muito bem escrito seu post! Me identifiquei completamente. Além de profissional de mmn, sou psicóloga clinica e uma das coisas que mais afeta o comportamento humano é a incapacidade que têem de assumirem suas próprias vidas! E o pior de tudo CULPAM OS OUTROS POR ISSO! Mas convenhamos que nossa sociedade tem um tipo de educação, desproviva de limites que forma cada vez mais seres mimados e dependentes de tudo e de todos. O que sempre digo é: ” meu querido (A), mude ou morra, por que o mundo não tá nem aí para você. Você nasceu só e morrera´só. Pára de depender dos outros a vida é sua e se você não sabe o que é melhor para você quem vai saber?”. É, tem missões além líderes e ser inciso é fundamental para fazer com que estas pessoas acordem e passem a caminhar com os próprios pés.

    PS: Gosto demais do que escreve e COMO escreves. Parabéns por ajudar-nos com conhecimentos e experiências.

    Abraços

    Anna Nascimento

    • Olá, Anna.

      Obrigado pelo comentário. Eles são o oxigênio de qualquer autor de blog. O o que nos faz, em meio ao corre-corre diário, encontrar um tempinho para por mãos à obra, ou melhor, dedos ao teclado. Não que precisemos de mimos para ser produtivos, mas é importante saber que o que postamos faz sentido para outras pessoas. Seja sempre bem-vinda e muito sucesso!

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